Acho que quase todo mundo que chegar a ler este post já sabe que sou um dissidente de Igreja evangélica. Aqui no meu setor tenho fama de polêmico e herege, mas pra mim não há problemas.
Talvez o único problema seja que eu não tenha ainda feito o que deveria, mas vou começar por aqui.
O motivo desse post foi um determinado cartão que vi no lixo (exatamente onde deveria estar) e que continha o seguinte texto:
O segundo domingo de junho
Por alguém foi escolhido
para homenagear o pastor
o servo de Deus ungido
Quando li isso, meio que me enfureci…
Passo a explicar o por quê.
Acho que todo mundo sabe que atualmente uma das ‘classes’ mais privilegiadas dentro das Igrejas evangélicas são os pastores: bons salários, casa própria, carro do ano… Talvez algumas pessoas digam que há aqueles que não sejam tão privilegiados assim. A essas pessoas respondo: Talvez não sejam por pensarem de forma semelhante a mim, ou simplesmente porque ainda não chegaram a alcançar o ’sucesso’ conseguido por muitos líderes carismáticos. Mesmo para aqueles com princípios, o dinheiro acaba falando mais alto que a consciência e até do que Deus.
Pastor, de acordo com a tradição, não é um cara mais privilegiado do que as ‘ovelhas’, mas um que passa por toda a merda que elas passam, pois anda junto com elas. Pisa o mesmo chão e muitas vezes não tem sequer o tempo necessário para cuidar de si próprio. Não encontro na Bíblia uma referência sequer a pastor sendo tratado como rei, como acontece hoje em dia. E esse textozinho que encontrei faz exatamente isso. Exalta o pastor a categoria de Rei…
E mais: o título “ungido de Deus” signfica “messias”… Quer dizer, hoje a gente tem uma pá de messias por aí, usando o nome de um ‘messias maior’… Seriam subdeuses de um deus superior?
Fala sério!
Mas no fim o motivo da fúria é a ignorância do povo.
A metáfora do pastor já foi bem usada no passado, mas hoje, posso dizer que está desgastada e perdeu seu sentido oiginal.
Hoje, se tem mercenários a frente de Igrejas, com o objetivo fundamental de angariar fundos, o que é muito fácil… basta apenas cobrar uma contribuição como ‘mantenedor do templo’, ‘patrocinador da causa missionária’, atribuindo ao ‘colaborador’ um status diferenciado frente a congregações.
Há tempos me afastei do modelo tradicional de igreja devido a essa discrepância.
Ah! Antes que eu esqueça, preciso afirmar também que há um objetivo especial em postar isso: Quero que você que vier a ler não se sinta constrangido como se estivesse ouvindo alguém que nega a existência de Deus ou a eficácia de seu poder… Apenas questiono a validade das insígnias que os homens tem se auto-atribuído. Quero que você reflita: para onde vai o dinheiro que você entregou nas mãos dessas pessoas? Se você é um ‘patrocinador da obra missionária’, pergunte ao seu ‘pastor’, onde está sendo investido seu dinheiro…. pois o dinheiro é seu, sim… E pergunte também, para que servem os dízimos e ofertas? Se ele disser que o tudo é para o sustento dos obreiros, pergunte novamente: quem são os obreiros? Os que ele e as convenções destacam, ou os pobres panfleteiros, que muitas vezes nem tem o que comer em casa mas por amor a Deus, saem pelas ruas entregando panfletos ou visitando de casa em casa?
Se você ler isso, já me dou por satisfeito… SE tratar de fazer essas perguntas a quem de direito, ficarei feliz, se não, o máximo que me acontecerá é não receber mais sua visita nesse espaço…
Em todo caso, é isso o que penso: Igrejas sobrevivem sem pastores [homens ordenados por homens], mas pastores [homens ordenados por homens] não sobrevivem sem uma igreja.
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